sexta-feira, 29 de abril de 2016

7x1


Virou moda entre os jovens e não tão jovens assim quer dizer então que virou moda entre a rapaziada e os não tão rapazes assim do que decorre a compreensão de que virou moda entre o pessoal e isso sim entre o pessoal sim pois pessoal são pessoas e independente de idade ou espírito mais ou menos juvenil para enquadrar as pessoas. Virou moda entre o pessoal falar coisas como "todo dia um 7x1 diferente" para se referir a acontecimentos ruins. Aliás, como estudioso do futebol (credo, que frase horrível). Como estudioso das relações estabelecidas a partir do futebol (continua ruim). Como pesquisador de ciências humanas interessado em relações que se dão a partir ou com o futebol (jesus, só piora). Parece que não vai ter jeito. Bom, a partir dessa situação em que me coloco, tenho me formado, pesquisado, sido etc, com relação a pessoas e futebol, penso que daqui um tempo seria interessante averiguar o sentido dessa expressão, 7x1 - sete a um - no imaginário popular brasileiro e, quem sabe, pleitear junto à academia brasileira de letras ou a ABNT ou sei lá quem que regula a definição, inserção e/ou retirada de termos do português - Aurélio, é você? - de colocarmos "sete a um" como um adjetivo negativo ou adjetivo pejorativo ou "adjetivo que indica grande derrota; que ou aquele que foi vergonhosamente derrotado, perder sem honras". Enfim, vocês entenderam - mas dá pra ficar mais claro aqui

Verso 35.

Era um dia de vitória, porra, como não considerar vitória ter passado ali tranquilamente umas quatro horas focado na coisa e com pique de passar mais umas dez no dia (foram mais oito) nessa funça (como diz um amigo carioca)? Vitoriaça. Ai eu fui no mercado, mas, caramba, como diz o pessoal, "todo dia é um 7x1 diferente". Ali no caixa onde a moça passa os produtos e pega o meu dinheiro para que eu possa levá-los foi uma caixinha que me levou ao chão tal qual Júlio César após mais um, e, virou passeio. Uma pequena caixa de papelão; papel cartão na verdade. Entre amendoins, aparelhos de barbear descartáveis, chicletes, balas, pilhas. Uma caixinha. Era alguma coisa com "nuts" que estava escrito nela, mas dentro não tinha nada. Era uma caixinha vazia e não sei o que tinha dentro dela antes, mas fora estava escrito alguma coisa com nuts. Porra (falei "porra" de novo, desculpa) lembro que quando o ônibus já estava há umas cinco horas e meia na estrada e parava na última parada (ou penúltima, dependia da linha) antes do meu destino e ai depois ele saía, no caminho entre a rodoviária onde havia parado e a rodovia onde, inversamente, tornaria a atingir sua velocidade máxima (ou perto disso), tinha uma fábrica que nas laterais tinha o escrito "nuts" alguma coisa. Era a mesma fonte da caixinha que estava no caixa do lado da moça do caixa. Era a mesma caixinha que eu via no mercado em que eu ia com tanta frequência durante os seis anos que morei em Marília. Caralho porra (de novo porra, caralho!) hoje teve até outro 7x1, mas é desnecessário descrevê-lo após tamanha precisão na descrição do de ante ontem. 
Espera aí, vamos repetir a pergunta de outro dia e colocar um link?
Sim.
Eu nunca vou sarar dessas saudades? Que mostra que eu acertei ao colocar esse título nesse texto de 1/3/2016 no plural, pois ali eu lido com uma saudade específica, mas elas são múltiplas, e saltam à minha cabeça com diversos sinais distintos - ante ontem foi com uma caixinha vazia e quatro letras: nuts.




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